Depende da hora.
Sempre acordo criança.
Destas que se espreguiçam feito gato, viram de lado e dormem um pouco mais. Ou fingem dormir para não ter que ir para a escola.
Mas nunca tem jeito, vai arrastada para o chuveiro, para a água terminar de acordar. Criança que se debruça na mesa, tilinta talheres, esperando o café-da-manhã chegar... Mas acaba sempre saindo atrasada, com a língua queimada, correndo pra não perder ônibus escolar!
E no caminho vou virando adulta, mas só de nove às quinze e com folgas às quintas-feiras. Adulta de verdade, com direito à crachá, carimbo e jaleco. Folha de ponto e contra-cheque no final do mês. Assim como outros adultos, também uso óculos escuros, celular no bolso e caneta na mão.
Então, acontece que aquele telefone que não para de tocar, é quase sempre para mim. (Às vezes é preciso mudar a voz para certos telefonemas.)
As pessoas que não param de chamar, chamam por mim.
As contas que não param de chegar, cobram de mim.
É menos complicado e mais chato do se esperava, essa coisa de ser adulto. É tão previsível e monótono, todos ao redor copiando a última moda...
Mas, ai, que sempre chega sexta-feira!
E as noites de sábado e vésperas de feriado, que me fazem adolescer terrivelmente...
Aí me pinto, me visto colorido, flor de feltro no cabelo... E saio por aí nos meus sapatos de boneca. A vida é mesmo uma festa!!! E eu quero mesmo é me divertir!
Misturar meu corpo com a batida, me dissipar em fumaças coloridas e luzes perfumadas. Sou tão verde quanto a fada.
Leio mensagens em camisetas, letras de música na cabeça. Qual é o lema da sua vida?
Eu quero o mundo e neste segundo! Sou livre e mamãe nem liga mais a que horas vou chegar...
Será que vamos chegar a tempo de ver o nascer do Sol? Tirar fotografias, almoçar o café-da manhã.
Ah, nestas horas urgentes, sentimentos pungentes, me enrosco no seu pescoço e tudo o mais.
E nada a mais: Enfim sós!
Mas nunca é só isso...
Tem vezes que o mundo para, eu me pego sozinha, rádio ligado e vassoura na mão. Fico pensando na vida... Esta bandida que vai nos roubando a saúde e alegria. E no seu fim que não tarda a chegar.
Não passo mesmo é de uma velha reclamona e cansada, que só gosta de seu cachorro e suas plantas. Vive só por obrigação.
Fazer o quê?
Vida que segue...
.
.
.
Mas como vovó dizia:
Destas que se espreguiçam feito gato, viram de lado e dormem um pouco mais. Ou fingem dormir para não ter que ir para a escola.
Mas nunca tem jeito, vai arrastada para o chuveiro, para a água terminar de acordar. Criança que se debruça na mesa, tilinta talheres, esperando o café-da-manhã chegar... Mas acaba sempre saindo atrasada, com a língua queimada, correndo pra não perder ônibus escolar!
E no caminho vou virando adulta, mas só de nove às quinze e com folgas às quintas-feiras. Adulta de verdade, com direito à crachá, carimbo e jaleco. Folha de ponto e contra-cheque no final do mês. Assim como outros adultos, também uso óculos escuros, celular no bolso e caneta na mão.
Então, acontece que aquele telefone que não para de tocar, é quase sempre para mim. (Às vezes é preciso mudar a voz para certos telefonemas.)
As pessoas que não param de chamar, chamam por mim.
As contas que não param de chegar, cobram de mim.
É menos complicado e mais chato do se esperava, essa coisa de ser adulto. É tão previsível e monótono, todos ao redor copiando a última moda...
Mas, ai, que sempre chega sexta-feira!
E as noites de sábado e vésperas de feriado, que me fazem adolescer terrivelmente...
Aí me pinto, me visto colorido, flor de feltro no cabelo... E saio por aí nos meus sapatos de boneca. A vida é mesmo uma festa!!! E eu quero mesmo é me divertir!
Misturar meu corpo com a batida, me dissipar em fumaças coloridas e luzes perfumadas. Sou tão verde quanto a fada.
Leio mensagens em camisetas, letras de música na cabeça. Qual é o lema da sua vida?
Eu quero o mundo e neste segundo! Sou livre e mamãe nem liga mais a que horas vou chegar...
Será que vamos chegar a tempo de ver o nascer do Sol? Tirar fotografias, almoçar o café-da manhã.
Ah, nestas horas urgentes, sentimentos pungentes, me enrosco no seu pescoço e tudo o mais.
E nada a mais: Enfim sós!
Mas nunca é só isso...
Tem vezes que o mundo para, eu me pego sozinha, rádio ligado e vassoura na mão. Fico pensando na vida... Esta bandida que vai nos roubando a saúde e alegria. E no seu fim que não tarda a chegar.
Não passo mesmo é de uma velha reclamona e cansada, que só gosta de seu cachorro e suas plantas. Vive só por obrigação.
Fazer o quê?
Vida que segue...
.
.
.
Mas como vovó dizia:
“Nada como um dia depois do outro.”


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